Por que o Brasil não criou as redes sociais?

Porque o país não fomentou os meios necessários para a geração de oportunidade em empreendedorismo. Há todo um ecossistema por trás de grandes negócios. O facebook, por exemplo, foi uma pequena ideia com uma grande entrada no mercado que, para tanto, utilizou de marketing viral e corporativista que está muito além de uma plataforma simples e inovadora. Contudo, as campanhas de marketing e propagandas são figuras de linguagem e branding nos valores da marca, seguramente importantes para o sucesso de uma notável empresa, a exemplo da norte-americana Coca-Coca (sabor e emoção) e a brasileira Dolly (ingerência).

Lembro-me do meu primeiro super computador Pentium 100 turbo antes da virada do milênio com um link de internet discada de 56 kbps que ocupava a linha telefônica e causava grande descontentamento para quem quisesse utilizar o telefone. Já o monitor tubo de 17' era o maior sucesso. A expressão "banda larga" ainda nem era cogitada pelos provedores de acesso à internet que ofereciam internet discada com uma conta de e-mail grátis e mais acesso ao portal de conteúdo. Meu primeiro contato com a rede mundial foi em 1997, e depois com a ferramenta da microsoft Front page que permitiu que eu publicasse minha página de internet sobre dinossauros como se eu fosse um cientista paleontólogo do famoso filme 'Jurassic Park' de Steven Spielberg. Entusiasmado com a ideia, meu portal de astronomia com uma aparência mais profissional "universo virtual" oferecia dados científicos que levaram centenas ou milhares de anos para serem descobertos pela ciência. Meu primeiro curso de home page (desenvolvimento de sites)  foi em 1999 embora já tivesse contato com a linguagem HTML e achasse que seria o suficiente.

O advento da internet possibilitou a entrada de muitos serviços e produtos inovadores mas o corporativismo de empresas estrangeiras beneficiava o monopólio dos mercados mais sofisticados. Hoje, sabemos que a tecnologia de 20 anos atrás é museu e as mudanças trazidas com novas tecnologias no século XXI têm alcançado um ritmo frenético. Porém, o Brasil nunca foi um país que ofereceu infraestrutura e um ecossistema propício a ciência e tecnologia. Por esta razão não houve a proliferação do chamado vale do silício como nos EUA (Yahoo, Google, Youtube, Altavista, Amazon, Facebook, Twitter etc) por meio de leis, incubadoras e recursos de infraestrutura. A inspiração é a chave para inovação que precisa de um ecossistema saudável.